On 27 January 2026, India and the EU agreed on a landmark Free Trade Agreement (FTA).The pact links the EU’s 27 member states with India and encompassing a combined market of roughly two billion people, 1/3rd global trade and 1/4th of the world GDP. The sentiments expressed by leaders indicate the clarity of vision, size, scope and potential of this agreement made in the New Delhi summit meeting between European Commission President Ursula von der Leyen, European Council President Antonio Costa and Prime Minister Narendra Modi. President of the European Commission called it “Mother of All Deals” while President of the European Council called India and the EU as “strategic, reliable partners taking our partnership to the next level”. Prime Minister Modi called the agreement as a “Blueprint for Shared Prosperity”.
The India–EU FTA reduces or eliminates tariffs on a wide array of goods and services for both sides. India will get preferential access to the European markets across 97% of tariff lines covering 99.5% of trade value while offering 92.1% of its tariff lines that cover 97.5% of the EU exports. For India, the agreement provides expanded access for goods ranging from textiles and leather products to services and technology inputs. For EU exporters, the pact eases barriers and provides access to India’s vast and traditionally protected sectors.
Negotiations for the India–EU trade pact date back to 2007. Negotiations were paused in 2013 amid disagreements over market access and regulatory standards. Talks resumed in earnest in 2022 against the backdrop of growing global trade tensions and concerns over protectionism and the strategic imperative for diversified economic partnerships. The deal took almost 18 years to fructify, underlining that if there is a shared understanding and mutual desire of achieving a goal, debate and discussion will be part of a democratic process. The deal that has emerged is not merely a trade instrument but a building block in a rules-based international economic order. It fits in well with EU’s broader policy objective of forging resilient partnerships that extend into security, climate policy and defense cooperation.
The deal comes at a time when global supply chains face disruption from geopolitical pressures even as post- pandemic recovery is on. It creates a structured trade and investment framework that can strengthen supply chain resilience, particularly in sectors such as pharmaceuticals, automotive components and renewable energy technologies. The agreement may also serve as a model for future trade agreements that balance market access with strategic cooperation on climate policy, digital trade, regulatory alignment and labor mobility and bridge diverse economies. More could emerge as implementation unfolds. The agreement is still to be ratified by the EU institutions and India, but both sides have signalled readiness to work through those procedural steps.
Portugal has played a very important role in realising this milestone.The 1st Summit India-EU summit took place in June 28, 2000 in Lisbon under the Portuguese Presidency where the idea of a FTA was first discussed. Portugal then organised the India-EU leaders’ Meeting in May 2021 under the Portuguese Presidency that helped reposition India as a strategic partner and gave the trade negotiations a serious and decisive push. It established the roadmap that led to resumption of negotiations in 2022. Portugal helped to restart and sustain negotiations, acted as a bridge builder inside the EU and provided political momentum especially at critical moments. That it was finalized by the hands of Mr. Antonio Costa, the President of European Council is perhaps the completion of this circle.
Original article: https://www.dn.pt/opiniao-dn/opiniao/acordo-histrico-de-comrcio-livre-ndia-ue-abre-portas-a-uma-nova-era-econmica
A 27 de janeiro de 2026, a Índia e a União Europeia concluíram um Acordo de Comércio Livre (ACL) histórico. O pacto liga os 27 Estados-membros da UE à Índia e engloba um mercado agregado de cerca de dois mil milhões de pessoas, um terço do comércio mundial e um quarto do PIB mundial. Os sentimentos expressos pelos líderes revelam a clareza de visão, a dimensão, o alcance e o potencial deste acordo, alcançado na Cimeira de Nova Deli entre a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e o primeiro-ministro Narendra Modi. A presidente da Comissão Europeia classificou-o como a “mãe de todos os acordos”, enquanto o presidente do Conselho Europeu descreveu a Índia e a UE como “parceiros estratégicos e fiáveis a elevar a nossa parceria para o próximo nível”. O primeiro-ministro Modi chamou ao acordo um “modelo para a prosperidade partilhada”.
O ACL Índia - UE reduz ou elimina tarifas sobre uma vasta gama de bens e serviços para ambas as partes. A Índia obterá acesso preferencial aos mercados europeus em 97% das linhas pautais, abrangendo 99,5% do valor do comércio, enquanto oferece 92,1% das suas posições pautais, que abarcam 97,5% das exportações da UE. Para a Índia, o acordo proporciona um acesso alargado a produtos que vão desde os têxteis e artigos de couro até aos serviços e aos insumos tecnológicos. Para os exportadores da UE, o pacto reduz barreiras e proporciona acesso aos vastos e tradicionalmente protegidos setores da Índia.
As negociações do acordo comercial Índia - UE remontam a 2007. Foram suspensas em 2013 devido a divergências sobre acesso ao mercado e normas regulamentares. As conversações foram retomadas com determinação em 2022, num contexto de crescentes tensões no comércio global, preocupações com o protecionismo e considerando o imperativo estratégico de diversificar parcerias económicas. O acordo demorou quase 18 anos a concretizar-se, evidenciando que, quando existe entendimento partilhado e vontade mútua de alcançar um objetivo, o debate e a discussão fazem parte de um processo democrático.
O acordo que emergiu não é meramente um instrumento comercial, mas um alicerce numa ordem económica internacional baseada em regras. Enquadra-se plenamente no objetivo mais amplo da UE de forjar parcerias resilientes que se estendam à segurança, à política climática e à cooperação em matéria de Defesa.
O acordo surge numa altura em que as cadeias de abastecimento globais enfrentam perturbações decorrentes de pressões geopolíticas, ao mesmo tempo que decorre a recuperação pós-pandemia. Cria um quadro estruturado de comércio e investimento que pode reforçar a resiliência das cadeias de abastecimento, particularmente em setores como o farmacêutico, o setor dos componentes automóveis e o das tecnologias relacionadas com as energias renováveis.
O acordo poderá também servir de modelo para futuros acordos comerciais que conciliem o acesso ao mercado com a cooperação estratégica em matéria de política climática, comércio digital, alinhamento regulamentar e mobilidade laboral, aproximando economias diversas. Mais desenvolvimentos poderão surgir à medida que a implementação avance.
O acordo tem ainda de ser ratificado pelas instituições da UE e da Índia, mas ambas as partes sinalizaram disponibilidade para avançar com esses procedimentos.
Portugal desempenhou um papel muito importante na concretização deste marco. A primeira Cimeira Índia - UE realizou-se a 28 de junho de 2000, em Lisboa, sob a Presidência portuguesa do Conselho da UE, no qual a ideia de um ACL foi discutida pela primeira vez. Posteriormente, Portugal organizou a Reunião de Líderes Índia - UE em maio de 2021, também sob a Presidência portuguesa, que ajudou a reposicionar a Índia como parceiro estratégico e deu um impulso sério e decisivo às negociações comerciais. Ficou estabelecido o roteiro que conduziu à retoma das negociações em 2022.
Portugal contribuiu para relançar e sustentar as negociações, atuou como construtor de pontes no seio da UE e proporcionou impulso político, especialmente em momentos críticos. O facto de o acordo ter sido finalizado pelas mãos de António Costa, presidente do Conselho Europeu, representa porventura o fecho deste ciclo.